Livro Redes ou paredes, de Paula Sibilia.
Capítulo: "As subjetividades midiáticas querem se divertir".
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| Imagem: https://www.pakistantribe.com/51927/every-sixth-pakistani-student-addicted-internet-report |
"Uso de meios digitais na educação pode melhorar aprendizagem" (publicado em 17/04/2012)
Matéria do site: Oficina da Net (link).
"Entre os principais benefícios dos meios digitais nas escolas estão o aumento do diálogo entre professores e alunos e a ampliação do espaço da sala de aula, já que o contato passa a ser também fora do horário escolar. Além disso, os recursos disponíveis nos computadores e na internet fazem com que os estudantes tenham mais prazer em assistir às aulas e interajam de modo mais efetivo."
Para além do esforço de emancipar o estudante, "libertando-o do confinamento alienante", a ideia de aprendizagem do século XXI está relacionada também ao divertimento. A partir do uso pedagógico de atividades lúdicas, retirando a seriedade e a mecanização dos procedimentos de ensino, é possível entreter os alunos e trocar saberes de formas mais amenas.
No entanto, na medida em que as relações com as tecnologias e o mundo digital se desenvolvem, e as possibilidades de entretenimento se alargam, aparece para o educador uma questão:
Se a atenção para o entretenimento e para o espetáculo é falha, como pode o professor captar a atenção de seus alunos na medida em que a potencialidade de recepção e pensamento das mensagens é dissipada?
"Em sintonia com a banalização e a saturação imagética, as palavras também não amarram nem decantam, não chegam a consolidar significados em quem as profere nem em quem as escuta: em vez de ancorar experiências com seu peso capaz de marcar corpos e subjetividades, elas patinam ou deslizam sem se prender a nada, como opiniões intercambiáveis que se somam à maré e desaparecem, em vez de lhe dar espessura fazendo-a se deter ou interrompendo seu devir. Em seu excesso sem densidade, tanto as imagens como as palavras se mostram imponentes para desacelerar esse fluxo ou para lhe dar coesão: não conseguem se condensar em diálogo nem em pensamento".
O desafio dos professores então passa a ser particularizar as múltiplas experiências em um ambiente "hiperestimulado e hiperestimulante". É necessário criar estratégias de fixação para um aluno-espectador contemporâneo que surfa ininterruptamente no caos das informações. É preciso, então, "conceber modos de se subjetivar, pensar e dialogar nessas condições".

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